Numa nota enviada aos clientes, a que o Diário Económico teve acesso, o Commerzbank sublinha que "a economia tem crescido de forma notável desde a Primavera e o mercado de trabalho também já conseguiu dar a volta". O banco alemão acredita que a reviravolta em sentido positivo "deverá continuar, apoiada pela maior competitividade do país e pela actividade económica mais forte nos mercados das suas exportações". Por isso, frisa, "Portugal tem boas hipóteses de se aguentar sobre os seus próprios pés quando o programa terminar, em meados de 2014", ainda que para tal seja necessário mais algum apoio da Europa. É que o Commerzbank não acredita num novo resgate, nem numa saída à irlandesa: "Assumimos que, no máximo, Portugal vai candidatar-se a uma linha de crédito cautelar". Na nota enviada aos clientes, os economistas Ralph Solveen e Jörg Krämmer destacam o progresso feito em alguns dos "pontos fracos" que levaram ao pedido de ajuda, nomeadamente: a consolidação orçamental que tem vindo a reduzir o elevado défice orçamental; a redução do endividamento do sector privado; e as mudanças na estrutura económica do país que, embora ainda atrasado face a economias como a Alemanha, tem visto crescer "o valor acrescentado bruto nas áreas e produtos de maior valor acrescentado". O Commerzbank reconhece, porém, que "é questionável" que a dívida pública comece já a descer em 2014, como previsto pelo Governo e a 'troika'. "Com um défice de 4% do PIB [meta para este ano] e uma dívida próxima de 128% no final de 2013, tal iria requerer que o PIB nominal crescesse mais de 3% este ano, o que parece altamente improvável, já que a pressão inflacionista vai provavelmente continuar fraca, apoiada na queda dos custos unitários do trabalho", sublinham os analistas, que dizem que "a esperança está em que as grandes privatizações continuem". O banco alemão aponta ainda dois riscos principais no caminho de Portugal até aos mercados: por um lado, a estabilidade do Governo, com os analistas a chamarem a atenção para o facto de que, no Verão passado, o país também parecia estar bem encaminhado para regressar aos mercados, mas a crise política desencadeada por Paulo Portas atirou tudo por terra. Por outro, o Tribunal Constitucional, que já várias vezes chumbou medidas propostas pelo Executivo e poderá agora voltar a fazê-lo, algo que "poderá perturbar os investidores pelo menos temporariamente".
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