Edgar Caetano Pier Carlo Padoan, secretário-geral adjunto e economista-chefe da OCDE, diz que as reformas estão a mostrar resultados e admite a possibilidade de Portugal seguir o exemplo da Irlanda. O essencial, diz, é que o país construa uma rede de segurança para o pós-troika, que pode ser essencialmente doméstica, através de uma almofada de tesouraria, ou europeia, através de uma linha de crédito cautelar. Diz ainda esperar que o Constitucional compreenda a necessidade de reformar o sistema pensionista. Pier Carlo Padoan (na foto), secretário-geral adjunto e economista-chefe da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), afirmou nesta terça-feira estar “positivamente surpreendido” com Portugal, tendo admitido a possibilidade de o país sair do programa da troika sem rede de segurança europeia, à semelhança do que acabou por ser a opção da Irlanda. O economista-chefe da OCDE diz que esteve recentemente em Portugal e que “vê-se que houve um ajustamento orçamental e económico” e os “benefícios das reformas, que estão a mostrar-se nos números”. “As empresas estão a investir, estão a exportar”. “Portugal, como outros países, esqueceram-se durante muitos anos que tinham um problema de competitividade”, afirmou Pier Carlo Padoan, num encontro com jornalistas, em Paris, no âmbito da conferência anual da Coface. “A crise foi um alerta”, considerou. “O país está a aproximar-se do fim do programa, numa altura em que a economia europeia está a melhorar”, afirma o responsável, que “gostaria de ver Portugal, como a Irlanda, a participar da historia positiva" que diz estar a escrever-se na região. “Estamos a ver que o risco soberano está a cair nos países da periferia, em parte porque há muita liquidez que está a sair dos emergentes e procurar rendibilidades elevadas na periferia”. “Mas há também um bom desempenho que ajuda a justificar” a recente descida dos juros nos mercados. As taxas de juro da dívida portuguesa ("yields") a dez anos desceram nesta terça-feira abaixo de 5%, o que não acontecia desde Agosto de 2010. Se Portugal criar almofada de liquidez, pode equacionar “saída limpa” O secretário-geral adjunto da OCDE diz que é preciso garantir que “tudo o que foi feito não se perca” na saída do programa da troika. “O princípio geral é que na fase da saída seja criada uma rede de segurança, que pode ser uma linha cautelar ou, como no caso da Irlanda, ser uma almofada de tesouraria”. “Há muitas formas de o fazer, e permite garantir que os esforços que foram feitos não sejam perdidos, ou desperdiçados”. A Irlanda, acrescentou, "decidiu não pedir um programa cautelar porque preferiu criar essa rede de segurança internamente”, explicou Pier Carlo Padoan. Portugal pode fazer o mesmo? “Se conseguir fazer o mesmo, porque não?”, questionou o economista-chefe da OCDE. Tribunal Constitucional é um "desafio adicional" para o governo Pier Carlo Padoan diz ainda que os investidores consideram que é um "benefício" quando os países conseguem reformar o seu sistema de pensões, na medida em contribui para a sustentabilidade da dívida pública e "isso deve ser levado em consideração quando [o Tribunal Constitucional] tomar as suas decisões", considera. “Não me cabe questionar as instituições ou política de um país”. Mas“em muitos países, incluindo Portugal, uma parte importante da recuperação é a reforma das pensões, porque isso promove o crescimento”. “Se um país não tem impedimentos como esse, isso é um benefício, e isso deve ser levado em consideração quando se tomam decisões”, afirmou o economista-chefe da OCDE. “As sucessivas análises do Tribunal Constitucional às medidas de contenção da despesa “são um desafio adicional para Portugal”. “Mas estou confiante de que o governo conseguirá convencer que estamos num período excepcional”, acrescentou.
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