sábado, 11 de janeiro de 2014

Portas explica crise de verão que o levou a demitir-se

O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, afirmou este sábado que a crise política do verão acabou por resultar num Governo "mais forte" e que "a economia beneficia com isso", sustentando que "o que teve de ser teve muita força".
"Se a remodelação fosse perdida, perdia-se mais do que isso. O que teve de ser teve muita força. A verdade é que a crise foi superada e, a meu ver, o Governo está mais forte e a economia beneficia com isso", afirmou Portas perante o XX Congresso do CDS-PP.
Portas tinha reservado para o Congresso uma explicação sobre a crise política do verão, em que chegou a apresentar a demissão de ministro dos Negócios Estrangeiros - que classificou como irrevogável - acabando por assumir o cargo de vice-primeiro-ministro e reforçar a posição do CDS-PP no Governo, com António Pires de Lima no Ministério da Economia.
"Houve momentos muito difíceis. Como sabem, um deles aconteceu em junho passado, com a demissão do então ministro e de Estado e das Finanças, primeiro, e a minha, depois. Deixo de lado os que julgam que algo tão complexo é um capricho ou um enfado, não conhecem o meu sentido de missão. Mas o partido conhece-o", começou por dizer.
"O partido deve apenas saber que atuei em último e exclusivamente último recurso, por entender que, se nada fosse feito, a coligação podia deteriorar-se e isso poria em risco aquilo que é o bem essencial para todos: termos Governo que chegue para vencer o resgate", afirmou.
Portas justificou a sua atuação "por entender ainda que o Governo precisava de assumir um novo ciclo e uma nova fase mais virada para economia, mais virada apara as empresas, mais virada para o emprego, mais virada para as oportunidades, com maior equilíbrio entre o financeiro e o económico, com maior partilha e, portanto, com maior coesão entre os parceiros".
PORTAS SEM PROBLEMAS DE CONSCIÊNCIA
Paulo Portas afirmou que a única comissão política a que se candidata é a do CDS-PP, após questionado sobre uma eventual candidatura a comissário europeu.
Instado a pronunciar-se sobre notícias que o dão como potencial candidato à Comissão Europeia, Paulo Portas respondeu: "Confirmo. Eu sou candidato a presidente da Comissão Política Nacional do CDS-PP".
Perante a insistência dos jornalistas, Portas clarificou que "é a única" comissão política nacional a que se candidata.
O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, esclareceu hoje que irá explicar no Congresso do partido as políticas da governação mas sublinhou que não se irá justificar por não ter "problemas de consciência".
Sem problemas de consciência
"Eu serei o mais pedagógico que conseguir ser porque acho que explicar as políticas é um dever de quem presta contas. Justificar-se era quem tivesse problemas de consciência e eu não tenho", declarou Paulo Portas.
O líder do CDS-PP falava aos jornalistas à entrada para o XXV Congresso democrata-cristão, que começa hoje em Oliveira do Bairro.
Perante várias perguntas sobre se irá esclarecer porque é que recuou no pedido de demissão que apresentou no verão passado, Portas acrescentou: "Onde está o meu povo e a minha gente, vão ouvir a prestação de contas que eu tenho o dever de fazer como chefe do partido".
Questionado sobre a sua continuidade à frente do CDS-PP, Paulo Portas disse que o seu "compromisso é com o partido".
O presidente do CDS-PP sublinhou que o conclave "é o primeiro de um ano de viragem".
"2014 é o primeiro ano em que se pode falar de Portugal depois da `troika´ e em que se pode falar de Portugal e da sua economia com crescimento. É um congresso bastante importante", defendeu.
Nuno Melo rejeita discutir coligações para legislativas
O eurodeputado centrista Nuno Melo considerou que "seria estranho" que estando o partido em crescendo graças a Paulo Portas o CDS-PP "optasse por mudar a liderança", rejeitando discutir coligações para as legislativas "a tanto tempo de distância".
Nuno Melo disse ter a "certeza que o que o CDS quer é que o Dr. Paulo Portas seja reconduzido como presidente neste congresso e se recandidate".
"A direita não define os bons ou maus líderes em função do prazo, antes sim em razão do mérito e do resultado o CDS tem tido, desde as eleições regionais, um ciclo de crescimento que deve ao Dr. Paulo Portas e seria estranho que crescendo o CDS graças ao Dr. Paulo Portas optasse por mudar a liderança", disse, perante as questões dos jornalistas.
Interrogado sobre a sua disponibilidade para a sucessão de Portas, o eurodeputado disse estar "disponível para ser candidato representante do CDS ao Parlamento Europeu" e "também para apoiar o Dr. Paulo Portas a presidente do partido sempre que ele o queira", considerando que "as questões da liderança estão resolvidas".
"A mim não me faz sentido discutir coligações relativamente a eleições legislativas a tanto tempo de distância", respondeu aos jornalistas.
Na opinião de Nuno Melo, "este congresso abre o ciclo eleitoral europeu e o que é normal é que se concentre todo ele no ciclo eleitoral europeu tendo em conta que as eleições europeias acontecerão a 25 de maio e uma semana antes saberemos o que acontecerá no fim do programa de assistência".
"Eu defendo que os partidos do arco da governabilidade, como regra, devem concorrer sozinhos. No quadro de excecionalidade devem ponderar coligações", explicou.
No entanto, e de acordo com a opinião do centrista, "esse quadro de excecionalidade assenta em circunstâncias concretas" e não é possível, no início de 2014, "conhecer as circunstâncias concretas que em meados de 2015 justificarão ou não a celebração de coligações".
"Em relação às europeias, eu defendo uma coligação com o PSD", sublinhou.

Sem comentários:

Enviar um comentário