Aos 28 anos, Filipe Albuquerque, natural de Coimbra, vai integrar aequipada Audi na próxima edição (14/15 de junho) das 24 Horas de Le Mans para concretizar um sonho há muito acalentado. O piloto português ascendeu a um elevado patamar, onde só os melhores têm acesso, e não perdeu serenidade nem ambição. A escolha para fazer parte da equipa que mais vezes (12) ganhou as 24 Horas de Le Mans desde o ano 2000 e somou triunfos consecutivos nas últimas quatro edições da clássica francesa reflete o valor e aconfiança depositada em si. Era esperada esta chamada para integrar a equipa de sonho da Audi, promoção de relevante significado e importância, após a última época no DTM, marcada por vicissitudes da mais variada ordem, ter ficado aquém do esperado e sem adesejada vitória? - Os responsáveis da Audi sabem o que não correu bem, em 2013, no DTM e conhecem o meu espírito de nunca baixar os braços, mesmo perante as adversidades, de me empenhar no trabalho. Logo, esta decisão, para além de revelar confiança no meu valor, só mostrao que a Audi sabe em relação a mim como piloto. A marca não me daria um lugar para o seu programa principal; nunca iria escolher um piloto que não fosse capaz. Por isso,sinto orgulho e reconhecimento. - Apesar de tudo, constituiu uma frustração ter deixado o DTM sem um triunfo? - Não foi frustração, apenas tive pena de não ter ido tão bem sucedido quanto gostava. Foram três bons anos no DTM, aprendi imenso e melhorei como piloto. Agora, sigo em frente e só tenho pena de não me encontrar com o António Félix da Costa, quando os portugueses estavam à espera deste duelo. Mas a oportunidade deste projeto era irrecusável e não havia, sequer, que pestanejar. Este convite era uma promoção, um passo à frente, pois Le Mans é a coqueluche das corridas de resistência e o carro [Audi R18 e-tron quattro] é mais evoluído que um F1, muito rápido, com bastante aerodinâmica, pois as regras são muito diferentes e mais livres e com muitas tecnologias novas. Vou ter de aprender muita coisa. Com turnos de condução que podem ir até às três horas, é preciso ser rápido e ter cabeça fria. No fundo, vou fazer num só dia duas épocas inteiras de DTM, o que requer muita preparação e concentração. Até gora tenho lidado bem com a pressão, o que não quer dizer que não esteja imune aqualquer percalço. - Chegar, aos 28 anos, à equipa ganhadora de Le Mans, não é demasiado cedo? - Vemos, cada vez mais, pilotos muito novos a chegarem às corridas de resistência. Nestes novos tempos do desporto automóvel, tudo é mais competitivo e torna-se necessária experiência, por exemplo, para andar com muito tráfego em pista. Quanto mais cedo se adquirir essa experiência, melhor. Estou no pico da forma, em termos de experiência e rapidez. O DTM tornou-me mais rápido, completou-me como piloto. Vou ter de aprender tudo, mas os meus colegas de equipavão dar-me dicas e ajudar-me a evoluir. Poder partilhar os conselhos de Tom Kristensen (nove vitórias na prova), de Andre Lotterer e de todos, é privilégio. - Realizado um sonho, ganhar no ano da estreia é outra quimera possível de ser concretizada, com o Audi n.º 3, mesmo sem serem ainda conhecidos, oficialmente, os restantes dois pilotos? - Para um rookie (estreante), para mais com a Audi, seria normal esse desejo de ganhar. Mas, com colegas de equipa que querem vencer, depois de terem já subido a outros degraus do pódio, o objetivo vai ter que ser esse: ganhar paratentar dar-lhes essa alegria.
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