segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Woody Allen. Uma carta aberta sem direito a nomeações

A polémica conhece novos contornos: depois das acusações de Mia Farrow durante os Globo de Ouro é a vez da alegada vítima, Dylan Farrow, se manifestar na primeira pessoa ao "New York Times" "Qual é seu filme preferido de Woody Allen? Antes de responder, deve saber: quando tinha sete anos de idade, Woody Allen pegou-me pela mão e levou-me para um sótão tipo armário no segundo andar da nossa casa. Disse-me para me deitar de barriga para baixo e brincar com o comboio eléctrico do meu irmão. De seguida, abusou de mim sexualmente. Falou comigo enquanto o fazia, sussurrando-me que eu era uma boa menina, que aquele era um segredo nosso, prometendo que iríamos para Paris e que eu ia ser uma estrela nos seus filmes". Depois do silêncio veio a confissão. Dylan Farrow, filha adoptiva de Woody Allen e Mia Farrow, não quis ficar calada perante a nova polémica que emergiu no momento em que Diane Keaton, amiga do realizador de "Blue Jasmine", subiu ao palco dos Globos de Ouro para receber o prémio de carreira Cecil B. DeMille, em nome de Allen. Mia Farrow e Ronan Farrow acusaram-no no Twitter de ser um pedófilo, desenterrando o escândalo já noticiado pela revista "Vanity Fair" em 1992 e no passado mês de Novembro. Esta é a manifestação mais directa da filha do ex-casal, Dylan, que hoje tem 28 anos e vive na Florida com outro nome: escrever uma carta no blogue do "New York Times" onde acusa, sem rodeios, o seu pai adoptivo, descrevendo até alguns dos episódios de forma bastante explícita. "Não gostava de muitas coisas que o meu pai me fazia. Não gostava quando me punha o seu polegar na minha boca. Não gostava de ter de entrar na cama com ele de roupa interior." A jovem afirmou ainda que o seu crescimento foi afectado por um distúrbio alimentar e automutilações causados pelo incidente, que, diz, ter-se repetido várias vezes. É preciso dizer que Woody Allen nunca foi acusado por tais crimes e em 1992 a teoria de uma criança perturbada prevaleceu. "Havia especialistas para atacar a minha credibilidade. Havia médicos disponíveis para fazer uma criança abusada duvidar de si", diz. Na carta, Dylan garante que os prémios, os louvores, as sucessivas capas de revista do realizador, motivaram-na a avançar. Reforçando a ideia de que a temática central do texto não é a vida de uma celebridade, mas antes o abuso e a falta de respeito para com todas as vítimas molestadas em criança por "predadores" como este.

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